Desfilei pela Imperatriz e o enredo dizia assim:

 NOS FILHOS QUE O BRASIL… CONSAGROU
TALENTO E ARTE, VITÓRIA E SUPERAÇÃO
QUE UM ANJO CAIPIRA ABENÇOOU
SE TODA HISTÓRIA TEM INÍCIO, MEIO E FIM
A NOSSA COMEÇOU ASSIM

É O AMOR…
A RECEITA DA ALEGRIA
SENTIMENTO E MAGIA
A RAZÃO DO MEU CANTAR

Desfilar foi uma emoção enorme. Enquanto passei pela avenida, me arrepiei, cantei, dancei e chorei. Um filme passou em minha cabeça de todo tempo que estou no Rio de Janeiro, de tudo que aconteceu e como mudou minha vida.

Por alguns anos eu estive na Sapucaí, mas desfilava no grupo dos que fazem o maior show da terra: eu trabalhava todo carnaval!

Vimos a oferta num jornal, minha irmã e eu nos tornamos figurinhas carimbadas para trabalhar todos os anos. A dupla que mais vendia (batendo todas as metas) faturava dobrado. Eu sempre ia de máscara, e acabava vendendo ela e outras cinco que levava por dia para complementar a renda… Vendo até areia no deserto!

Funcionava assim: Uma empresa chamada Bee Camisaria possuia alguns estandes espalhados por todo sambódromo, e eram eles que vendiam as camisetas oficias das escolas. Eram em média uns 40 ambulantes com mochilas – entre eles por 3 anos consecutivos estava eu e a nega Lara.

Eu sempre tinha um destino certo para o faturamento extra do carnaval, era uma grana boa! Em média 3x do meu salário normal, entre comissão e gorjetas. Uma vez me dei de presente esse faturamento e fomos para uma viagem e gastei tudo em 2 dias, e foi demais! Eu não poderia viajar se não fosse aquela grana, aquele sacrifício.

Não era fácil. Mais de oito horas andando com sacola de camisas de um lado para outro, vai e volta pra trocar tamanho, o cliente sempre querendo aquela da escola que não tem disponível. Nós íamos para os camarotes, frisas e arquibancadas…

Falando em camarote… Um salve para os garçons que sempre nos ofereciam comida, água e bebidinhas. Às vezes era constrangedor: alguns camarotes tinham seguranças que eram grosseiros, mas era carnaval né? Alegria, alegria, alegria!IMG_8462

Nega Lara sempre ganhava mais que eu, por mais que eu vendesse mais unidades. Ela procurava vender para gringos, que pagavam em dólar e sempre dava gorjetas grandes por conta da conversão – hoje entendo que isso se chama estratégia. E isso aconteceu não faz muito tempo, acredito que 3 anos atrás no máximo.

Então imagina eu na emoção, de camelô à desfilar na Sapucaí! hehehe

Seguindo o desfile da Imperatriz, o filme continuava em minha cabeça – o quanto trabalhei ali e como me ajudou na Francisca. Pensei nas vezes em que eu e Larissa sonhávamos em desfilar ou mesmo estar no camarote… Estar ali foi mágico. Foi como um sonho realizado, me senti o maior destaque daquele lugar!

Lá conheci minha amiga Helenice, que na época era gerente geral da Bee Brasil. Lembro que no último carnaval em que trabalhei com ela, falei sobre o meu projeto. Contei que estava pensando em deixar o trabalho e a faculdade para me dedicar ao meu sonho: abrir a Francisca Joias. Por mais que isso parecesse loucura na minha atual realidade, ela me deu a maior força e ainda me convidou para ir no escritório dela e levar as peças para o pessoal conhecer. Ela nem imagina como isso foi importante pra mim.

sabrina nunesE a vida foi seguindo. Infelizmente a marca Bee Brasil não existe mais, porém mantive contato com Helenice e recentemente ela me indicou uma sobrinha dela, Mari, que atualmente faz parte da equipe de marketing do meu grande amor e grande sonho: Francisca Joias Contemporâneas.

E eu, que nem imaginava realizar o sonho de desfilar recebo de presente uma fantasia que veio de uma pessoa que não conheço (mas quero conhecer, para agradecer) por conexão de Roberta, minha amiga. E para completar a conexão, minha primeira cliente no showroom, que virou minha amiga, também estava lá: Claudinha e família estavam assistindo o desfile. Pode isso? É muita emoção.

No próximo CONEXÕES E BASTIDORES conto um pouco sobre a Claudinha.

A receita é fazer tudo com amor e da melhor maneira possível. Procurando sempre se destacar como bom profissional independente da função.